Existem muitos casarões mundo afora, mas o nosso casarão é único, é um monumento, uma peça singular, um oási intelectual cravado no leito do Rio Branco, essa ilha amazônica cercada de verde por todos os lados.
É um desse espaço que já nasce predestinado a torna-se sagrado, a fazer parte de um povo, ser um arquivo extra-sensório de histórias que vibram no tempo.
A primeira vez que entrei no Casarão, foi para ir lá atrás tomar banho na piscina, pagando o equivalente a 1 (um real) para ficar meia hora se divertindo dentro de um quadrado de cimento cheio de água.
Além de servi como de residência do coronel Fontinelli de Castro, com tempo o Casarão foi ganhando um aspecto histórico que envolve o movimento cultural nativo, passa a ser um ponto de encontro das cabeças pensantes do estado, sob o comando do Walter e da Graça, torna-se uma referência da boa música brasileira e vitrine dos compositores locais. Foi nesse período que os Alquimistas passam a dar o tom musical das noite acreanas. O Casarão passa a ser a porta de entrada para as noites festivas do municipio, aberturas de novos bares shows em nossa cidade, que ainda hoje fazem parte da paisagem noturna. Foi ali, que depois de quase uma década fazendo música autoral e algumas apresentações antológicas com o grupo Capú, eu resolvi pela primeira vez interpretar o que tocava na midia e compor musicas seguindo os ritmos das modas, uma quimica que deu certo, que gerou uma produção musical riquissima de detalhes ambientais, que sem duvida merecem um registro de acesso público. Não tenho certeza de quanto tempo passei ajudando a embalar as noites musicais de Rio Branco junto com a rapaziada dos alquimistas. Só sei que foi bastante tempo, um tempo que pode ser vivido, revivido, escrito e reescrito.
É meu irmão de floresta, na verdade nada passa, pois na memoria não existe o ilusório tempo, existem os instantes vivenciados que vão ficando. O Casarão continua lá, esperando tranquilo, com os momentos únicos que vivenciamos, momentos latentes palpaveis. O Casarão é uma entidade, um ser, um lider guerreiro que resolveu descansar depois de ajudar organizar uma longa e vitóriosa batalha, e agora espera seus guerreiros para festejar a força diretora de uma geração que nasceu pra vencer, pra mudar, pra deixar sua impressão digital na história. Sim, o Casarão está lá, imperioso musical florestano, poético imortal urbano como seus guerreiros. Um olimpo na amazônia Lendacreana. O casarão da direita que vai, da esquerda que vem e do meio concreto armado que é de todos e de ninguém.
Um comentário:
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VALDECIR78@HOTMAIL.COM
DESDE JA LHES AGRADEÇO
ABRAÇOS.
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