terça-feira, 15 de abril de 2008

O ESPELHO DOS BOTOS ENCANTADOS II

"É noite estrelada, a lua brilha. Uma luz de lamparina surge iluminando a janela aberta do quarto da princesa. Agora dá praver ela levantando da cama, vestido apenas uma sensualissíma calcinha, deixando a vista seus belos seios. Ela vai até um canto do quarto, pega a toalha, enrola ao seu corpo e sai para tomar banho, depois do banho, enxuga-se, e enrola novamente a toalha ao corpo. Introduzindo as mãos por baixo dela, e retira a calcinha. Abaixa-se para junta alguma coisa, e demora um pouco nesta posição. Levanta-se e entra novamente em casa, vai até o quarto, pára diante da janela, retira a toalha e joga num canto, e permanece de pé por alguns instantes enfrente a janela, deixando todo o seu corpo salpicado de escamas liquidas, exposto a luminosidade do quarto. Veste um vestido leve e deitar-se novamente.(Escurece a cena)
A amiga – Nossa!
O encantado – Ainda tem mais.
A amiga - Como você sabe?
O encantado - (sorrindo)Intuição masculina!
(luz) Agora é dia. Uau-mari surgi na varanda enrolada na mesma toalha, pega a vassoura e começa a varrer. Movimenta a perna direita para frente, deixando entreaberta uma fresta na toalha, por onde é possível ver um pouco acima de suas coxas carnudas provocante.(black-out. Som pássaros cantando)
(Luz)Uau-lú sai do banheiro atrás da casa. Pára um pouco. Olha para o alto de forma sorrateira, e abre um pouco a toalha para se defender de uma acidental ferroada de algum bichinho em suas coxas, expondo novamente o veludo macio de suas formas femininas. Vai até a porta atrás de sua casa e coloca a parte superior do corpo dentro de casa, com a intenção de fazer alguma coisa, que não dá ver exatamente o que é. Movimenta a perna direita para se apoiar. Abrindo novamente uma fresta na toalha, e fica assim por um bom tempo, expondo suas belezas intimas. E sorrindo a princesa vira-se na direção do jovem lider e pergunta:

A princesa – E então, o que senti ao apreciar detalhes tão íntimos de meu corpo?
A amiga – Uma boa pergunta! E ai! O que você senti?
O encantado - Tudo Muito interessantes! Mas previsíveis.
A amiga – (sorrindo) Interessantes!? Previsíveis!? Você tá brincando!
O encantado - Uau-lú, Normalmente é isso o que acontece quando você se depara com alguém lhe espreitando de forma curiosa.
A amiga – (sorrindo)Espera um pouco ai! Não vá fugir. Eu quero saber o que você sentiu ao ver a princesa desta maneira!
O encantado - O que posso te dizer, é que Momentos assim costumam levar os envolvidos a um
estado de excitação quase incontrolável, muitas vezes os fazem agir compulsivamente, a vencerem certos medos, até chegarem ao ponto de apelar para esses tipos de gestos provocantes propositais. Mas sempre tomando o devido cuidado para que esses gestos pareçam pequenos descuidos, para que não pareça que foram feitos intencionalmente.
A amiga – O que estais insinuando! Tem medo de encarar a verdade? voces são curiosos! e com
certeza ficam babando quando se deparam com cenas assim.
O encantado - Isso faz parte do nosso universo e principalmente do universo feminino, As vezes nos parece estranhos esses acontecimentos, mas não existe nem um desvio de conduta nesses impulsos femeninos; nada fora dos padrões normais de comportamento das femeas. Faz
parte dos deliciosos jogos de sedução de nossas espécies.
A amiga - Estais querendo esconder o sol com uma penêra!
O encantado - Não! Diga-me! Quem nunca passou por uma dessas aventuras telepáticas? por uma dessas relações extra-sensorias acidentais? Quem nunca sentiu os prazeres que esses momentos
são capazes de produzir? porque acha que nascem as crianças?
A amiga – Não vamos exagerar.
O encantado – Não estou exagerando. E digo mais, algumas de vocês até se habituam a ter esse
tipo de ralações; esses prazeres extra-sensórios, e se especializam em produzirem esses maravilhosos espetáculos particulares, e para isso elegem seus observadores prediletos. E se excitam assim, fingindo não ve-los. Isso está estampado na forma como se vestem! Está presente nas preocupações que tem em realçar as partes que podem atrair os nossos olhares desejoso.
A amiga - Vou insistir na pergunta, que teimas em não responder.
O encantado - O que queres que eu te responda, Uau-lú ?
A amiga - Não se faça de bobo!
O encantado - Acho que queres ouvir eu dizer que ao ver as belissimas partes intimas da princesa, senti-me atraído por elas(Aproximando de Uau-lú)Acho que vai te excitar ouvir eu dizer que desejei toca-las, acaricia-las, senti-las em minhas mãos, beija-las com volúpia, ou quem sabe acariciar uma delas com meus músculos rígidos, e preenche-la ardorosamente até sentir o morno do seu prazer jorrando deliciosamente na pele, olhando-a nos olhos, beijando-a calorosamente a boca?

A amiga - (Afastando)Assim Você me deixa sem jeito!
O encantado – Não esqueça que eu sou um encantado, e como todo encantado, eu tenho a missão de encantar. Tenho minhas fantasias, sinto desejos, é desejando que os encantados se
encantam, é nos encantando que buscamos encantar nossos encantos.
A amiga – És muito escorregadio, isso sim! Tenho certeza que faz isso com todas que aparecem
na tua frente.
O encantado – Ah! Como é linda essa carência disfarçada que tua boca transforma em melodia;
como é sultil o desejo que goteja dos teus lábios como um riacho de leite e mel, minha meiga
Uau-lú. Sinto-me rodeado pelas rosas perfumadas de tuas inocentes acusações.(Aproximando seu rosto ao dela) Quem me dera envolver-me em tuas formosuras e bebericar o nécta dos desejos no cálice macio do teu umbigo; mordiscando delicadamente as pontinhas dos montes macios do teu colo; rodear de suavidade o teu pescoço, massageando os teus cabelo e me afogando em tua boca, ouvindo o ofegar de tuas narinas em meus ouvidos, sentindo os sabores de tuas refinadas especiarias fogosas. (levando a mão a cabeça) Eu tiro o chapéu pra você, deusa dos
meus mais puros encantos.(Tira o chapéu)O que te lembra isso!?


A amiga - Ah! minha mãe das águas, é inconfudivel o teu perfume, majestoso! A elegância dos
teus cortejos, a beleza de tuas palavras. Pensei que nunca mais ia te ver. Então és tu!
O encantado - Uau-lú! Os ventos da primavera chegam mais uma vez para mudar o meu destino.
A amiga - Ah! como te procurei! Tu não sabes noites de sono perdi pensando em ti. Quantas noites sonhei com a sublime de união dos que verdadeiramente se amam. Acerta-me com tua lança guerreira, meu amado. Enche minhas entranhas mornas com teu nécta, dá-me o presente
dos deuses. Eleva-me ao céu dos teus amores! Não sabes quanto tempo sonhei com esse momento. Finalmente te encontrei. Tu és tudo que mais quero nesta vida. Por que desaparecesse da forma como desapareceu? Porque sempre fugias? porque nunca ficastes até o final das festas comigo? Me responda... por que me fez sofrer assim?
O encantado - Calma! Uma pergunta de cada vez. Existe alguns mistérios em minha vida que não posso te revelar. Há certas coisas que as nativas não podem saber.E é melhor que seja assim.
A amiga - Tudo o que quero é que diga-me! Porque você sumiu sem dar explicações?
O encantado - Porque uma mulher apaixonada só ouve o coração, vocês são muito sensiveis e
extremamente curiosas, são capazes de tudo para viverem seus amores. E tu estavas prestes a
botar tudo a perder, Uau-lú. Mas ainda És a chama ardente que adoro, mas ainda não ousei tocar, temendo ser devorado pelo fogo abrasador do teu corpo. Foi uma surpresa maravilhosa ve-la entrar aqui acompanhando vossa princesa. Mas não esperava que me reconhecesse. Mas eu não resisti.
A amiga - O que faço para que te rendas a mim, meu amado principe dos encantados. O que faço para que fiques comigo?
O encantado - Ah! Uau-lú! És a luz mais pura que encontrei no caminho. Mas por um desses acaso do destino, hoje é noite de lua, e podemos acabar embarcando numa bela enrascada se não saires daqui a tempo. A princesa me tomou um tempo precioso. A minha liderança está ameaçada com tua presença. A vossa rainha continua a mesma. Ela mandou a princesa traze-la até aqui para que eu a envolvesse com meus encantos e a possuisse de alguma forma. Faz parte dos rituais de iniciação. Mas a princesa tinha que ter vindo sozinha. Mas tudo bem!
A amiga - Eu não estou entendendo nada do que estais dizendo.
O encantado - Isso não é importante agora, Uau-lú. Olhe!A princesa já está voltando. Eu tenho que traze-la a realidade.
A amiga - O que vais fazer?
O encantado - Tenho que diminuir o estado de excitação sonhadora que ela passou a ter por mim.
A amiga - (Olhando desconfiada para o encantado) E como vais fazer isso?
O encantado - Não te preocupes. Existem formas de fazer isso, sem apelar. E acho que no momento a melhor delas é pedi que devolva minhas estrelas!
A amiga - Tuas estrelas!? Desde quando tens estrelas?
O encantado - Vou usar isso para amenizar a ilusão dos desejos que ela agora está sentindo
por mim. Mas agora não tenho tempo para te explicar. Fique quieta por favor!(A princesa se aproxima sorridente enrolada na toalha, demonstrando está muito feliz e com uma certa malicia no olhar).
A princesa - Que lugar maravilhoso! estou me sentindo nas nuvens. Que pena que não fostes comigo, Uau-lú! Esse lugar é um sonho.
O encantado - (Demonstrando uma certa pressa) Me desculpe princesa! Eu não devia ter deixado voces entrarem aqui. (virando-se para Uau-lú) Se ela continuar nesse estado não vai ser
facil tira-la daqui. Vocês não podem ficar aqui.
A Princesa - (Se aproximando do jovem com movimentos insinuantes) O que queres de mim! Peça o que quiseres! que eu te concederei.
O encantado - Devolva minhas estrelas, princesa!
A princesa - (sorrindo) Do estais falando, meu amado.
A amiga - Amado!? Que intimidade sâo essas?
O encantado - (virando-se para Uau-lú) fique quieta por favor!(Voltando-se para a princesa) Estou falando das minhas queridas estrelas, princesa!
A princesa - Se soubesse onde estão tuas estrelas, eu reviraria céus e terra para busca-las
e entrega-las em tuas mãos, só para sentir, nem que fosse por um infímo instante a tua pele rossando a minha.
O encantado - Mas as minhas estrelas estão mais perto que imaginas, princesa.
A princesa - Diga-me onde, que irei busca-las para ti.
A amiga - O que deu na princesa? Tem alguma coisa errada com ela. Ela não é assim.

O encantado - Tu não anda no coração dos outros, Uau-lú. Nem tudo que falamos expressa a
vontade do nosso coração. Faça o que lhe pedi! Fique quieta! Ela está sonhando, eu tenho que
acorda-la desse sonho e tira-la daqui.(virando-se para princesa) Princesa! As minhas estrelas estão contigo. Tu as levou do meu Céu.

A princesa - Não lembro de algum dia ter provocado um cataclisma cósmico, de tamanha magnitude. Meu Principe das águas.
O encantado - Sabes porque não lembras, meu anjo!?
A princesa - Não! meu amado majestoso!
O encantado - Porque na noite em que elas se foram, tu estavas muito oculpada com tuas
maravilhosas meninices sedutoras, por isso nem percebeu que as raptou do meu céu.
A princesa - (Se insinuando)Não seria melhor dizer; do nosso céu, meu venerável majestoso?
O encantado - Sim, Uau-mari, mas quero que saibas que nas noites enluaradas, costumo exercitar os meus improvisos poéticos para minhas queridas estrelas. E numa bela noite, eu estava fazendo exatamente isso, quando voce apareceu para tomar seu precioso banho, e quando
cobriu-se com os véus de água, tu as raptou lá do céu para o teu corpo, e depois aprisionou-as nessa toalha. Voce não sabe o quanto procurei te-las de volta. E no dia em que fostes embora daquela casa, eu foi até lá, e entrei no quarto vazio onde jogastes a toalha, na esperança de encontra-las e devolve-las novamente ao céu. Mas elas não estavam lá, vi alguns brilhos no teu quarto, pensei que fosse algumas delas, mas não eram. Os brilhos vinham de pequenas frestas na parede de tua casa; frestas por onde tu poderias muito bem me observa, sem ser observada. E roteirizar teus deliciosos movimentos. És linda; sabes da força irresistivel que tem as tuas formas. Mas agora tens que acorda! Não existe nada que nós ligue além das minhas estrelas.
A princesa - Se isso é um sonho, eu quero morrer sonhando. É o mais belo de todos que já
tive, majestoso!
O encantado - Fico feliz de saber, que no silêncio do teu universo, sentis algo por mim, que sentesse atraida por mim, e de alguma forma buscou chamar minha atenção; despertar os meus
desejos; me dar prazer. E de alguma forma realizou isso. E que vi você protagonisar varias vezes a mesma cena, achei curioso que essa toalha estivesse sempre enrolada da mesma maneira! e abri-se sempre do lado em que eu estava. Isso não foram apenas maravilhosas coincidencias, com certeza Tu sabias o que estava fazendo! Estou feliz por está aqui. Pois assim consegui devolver em sonhos, os prazeres velados que me propocionou. Mas agora tens que acorda! Estais sonhando o maravilhoso sonho das donzelas que iniciam-se na arte dos prazeres reais!
A princesa - (Se aproximando do jovem)Deixe-me morrer sonhando! diga o que sentis por mim
que serei a mais feliz entre todas as mulheres; te seguirei para onde quiseres.
A Amiga - Eu não estou acreditando!
O encantado - Princesa, O que sinto por ti, transcende os mistérios das nossas lendas particulares.(Olhando para Uau-lú) Mas eu tenho um amor que vai além das estrelas, e isso me
fez romper com as tradições do espelho e deixa-las entrar aqui. Mas agora tenho que tira-la daqui e leva-las para o outro lado rio.
A princesa - Deixe-me pelo menos tocar a maciez de tua mão.
O encantado - Não posso toca-las, princesa! Dê-me está toalha para que eu possa ajuda-la a sair desse encanto.
A princesa - É só isso? (Diz a princesa fazendo o gesto para tirar a toalha do corpo que
cobri o corpo)
O encantado - (Segurando rapidamente na toalha)Não! por favor, aqui não. Me acompanhe! Vamos para o outro lado do rio que lá resolvemos isso!
A princesa - Como quiseres!
A amiga - O que vais fazer com a princesa?
O encantado - Me espere aqui! tenho que atravessa-la para o outro lado rio.
A amiga - E Para que queres essa toalha?
O encantado - Preciso envolve-la com essencia de flores e água do rio, antes que a lua começe a iluminar este espelho.
A amiga - Mas pra quê isso?
O encantado - Para evitar que o pior aconteça. Agora me espere aqui. E por nada nesse mundo toque nessas águas.
A amiga - Por que ?
O encantado - Por que são águas sagradas, e pode ser atraida por ela.
A amiga - Não se preocupe, eu não sei nadar, manterei distancia.
O encantado - É bom, pois esse poço é fundo e não tem onde se agarrar para sair se caires dentro dele.
A princesa - (caminhando para saida) Venha me florir! Meu anjo encantado.
O encantado - Já estou indo.(virando-se para uau-lú) fique aqui!
A amiga - Vê lá o que vai fazer!
O encantado - (Sorrindo)Não se preocupe. Ela esta em boas mãos.
A amiga - Eu não sei por que! Mais não consigo acreditar em você.
O Encantado - Fique calma que vai dá tudo certo.
A princesa sai do espaço sagrado o jovem lider a acompanha.(som de musica tensa. Flashes de relâmpagos e som de trovões ao longe) E depois de um curto espaço de tempo o jovem volta com
a toalha na mão.
A amiga - (Olhando desconfiada para o jovem) O que voces fizeram?
Som de vozes se aproximando.
O encantado - Nada! Venha ! Tenho que leva-la até o tablado dos beija-flores. Lá estaremos seguros.
A amiga - Como assim, não fizeram Nada !!? E o que voce está fazendo com essa toalha nas
mãos? Tá na cara que aconteceu alguma coisa! Eu não vou lugar nem um com você! Eu quero sair daqui! onde está a canoa?
O encantado - Canoa?
A amiga - A canoa da rainha, que usamos para atravessar o rio!
O encantado - Não usamos canoa.
A amiga - E como atravessaram o rio?
(ouve-se as vozes dos jovens fazendo algazarra bem mais aproximas).
O encantado - Os encantado podem fazer algumas coisas, que não posso revelar. Agora temos que sair daqui, Venha! a lua já está saindo, os jovens vão já passar por aqui. E voce não pode ve-los mergulhar no espelho.
A amiga - E o que pode ser assim tão importante que eu não posso ver?
O encantado - Não complique mas as coisas. Venha! Siga-me!
O jovem lider sai do espelho com Uau-lú e reaparecer adentrando no tablado florido. Ouve-se
O som de jovens brincando e pulando nas águas. Aos pouco som da algazarra vai diminuindo até tudo ficar em silêncio.
A amiga - O que aconteceu ?
O encantado - Agora tenho que ir até lá. Acho que Consegui evitar o pior.
A amiga - Eu tenho que voltar para minha tribo. Estou com uma estranha sensação. Eu tenho que voltar. Eu preciso voltar.
O encantado - Não fale assim. Parece sinal de mau pressentimento. Eu tenho que atravessa-la, mas antes preciso ir até o espelho me banhar nas águas sagradas enquanto a lua está saindo. Depois volto para atravessa-la.
A amiga - Tu sabias que tem alguns aventureiros morando do nosso lado rio?
O encantado - Eu sei!
A amiga - E não teme que eles nos conquistem ?
O encantado - Não há motivo pra isso. Agora tenho que ir até o espelho enquanto céu está claro.
A amiga - Eles são jovens, inteligentes e muito simpáticos, Majestoso.
O encantado - Mas, não são encantados, Uau-lú.
A amiga - Mas são cheio de energia. E chegou um barco trazendo mais alguns com umas porções
de encantos de sexto sentido, maravilhosas. E estão preparando uma revolução. Eles estão preparando uma grande festa, espero voce vá.
O encantado -(Se movimentando para sair na direção do espelho)Eu vou estar lá! agora tenho que ir até o espelho.
A amiga - Eu gosto do entusiamos contagiantes que eles tem. E é bom tomar cuidado, dizem que
estão preparando uma revolução ! A revolução dos poetas! Ah! e vou lhe dizer mais uma vez para que não se esqueça eles tem umas porções de encantos que são incomparaveis.
O encantado - (Parando de se movimentar) É mesmo!? E que tipo de porções de encantos são essas?
A amiga - Estais curioso?
O encantado - Sim! Para confronta-las com o meu insuperavel poder de encantamento.
A amiga - Poesias, majestoso encantado!
O encantado - Ah! minha criança inocente. E o que é poesia?
Amiga - É a essencia do florais dos apaixonados; o perfume sublime dos amantes. O hálito dos deuses enamorados.
O encantado - poesia, minha criança encantadora! É como o vento; É pensar em movimento; Só
frios raciocinio congelando fragmentos.
A amiga - Estais enciumado!
O encantado
- Por tamanhas bobagens? nunca!
A amiga - Duvido!? E poesias não são bobagem, gostamos muito de ouvi-las.
O encantado - Poesias! são particulas arredias; orbitantes embriagadas; apaixonantes
apaixonadas; paralelas em choques; rotineiras passageiras; as vezes passam por onde ficam;
as vezes ficam por onde passam; bobos graficos geometricos sem autonomia; motivos de
traduções comicas no nosso reino dos encantados. E para não me alongar , Uau-lú! A
verdadeira poesia ainda continua apaixonada por mim, e sempre vem aqui rondar ciumenta,
fazendo banzeiros nas águas para distorcer os reflexos tão inspiradores quanto ela, que vê
surgi ao meu lado nesse magnifico espelho d'gua. Imagens como a tua, minha amada.
A amiga - Obrigado! Sinto me evaidecida com tão saudáveis elogios, majestoso.
O encantado - Agradeça aos deuses que se apaixonaram por ti, e sobram em meus ouvidos esses graciosos galanteios, Uau-lú.
A amiga - Beije-me!
O encantado - Há certas coisas que não posso fazer aqui. Eu gostaria de beija-la, mas aqui não é o lugar. A amiga - Mas somos livres para dar alguns passos sigilosos, se quiseres!
O encantado - Tu sabes do sabor que tem um beijo as escondida, Uau-lú?
A amiga - Acho que isso não é mistério pra ninguém.
O encantado - Sabes das emoções que envolve um momento assim? qual o desfecho que pode ter
um beijo dado desta maneira ?
A amiga - Ah! meu amado! emoções são coisas Indiziveis.
O encantado - São inesperados os sentidos e os desejos que um beijo assim pode aflorar, Uau-lú!E eu tenho que ir até o espelho.
A amiga - E o que achas de sentir as emoções que envolve um beijo roubado, um beijo que pode ser correspondido, mesmo sendo dado de surpresa ?
O encantado - O que estais tramando?
A amiga - Existe uns jeitinhos para realizar certos desejos!
O encantado - É por isso que eu sempre digo; que outras preocupações tem as mulheres, a não ser a de nos baratinar a cabeça e com isso nos propocionar o maior prazer possível?
A amiga - Eu acredito que é só com uma certa dose de loucura podemos agradam os encantados, majestoso!
O encantado - Não dá pra negar que somos frageis a certas coisas femeninas. As Mulheres realmente tem alguma coisa de loucas. E acredito que seja essa a razão que as leva a confeccionarem e usarem tantos enfeites, de apreciarem simpatias, sortilégios de amor, das essencias aromáticas, dos banhos de cheiro, de viverem moldando os cabelos com seus caprichosos penteados.
A amiga - É sensibilidade o que chamas de loucura, majestoso.
O encantado - Não Uau-lú! Tem alguma coisa de loucura na razão que as leva a usarem tantos
artifícios para realçarem a beleza do rosto, a expressão do olhar, a cor da pele.
A amiga - Essas coisas os encantados nunca vão entender! Mas tudo o que estou querendo de ti
é um simples beijo. Não as tuas preocupações em decifrar o indecifravel.
O encantado - Dócil, como és! acredito que não farás nada que possa infringir os nossos
compromissos sagrados, Uau-lú.
A amiga - Nunca brinque e nem duvide dos sentimentos de uma mulher, majestoso. Tu não sabes do que uma mulher é capaz, quando ela gosta de alguém. Pois como tu mesmo reconhece; somos meio loucas, somos crianças crescidas, e com certeza tu sabes o que faz uma criança ser tão querida.
O encantado - Sim! Com certeza é um certo ar de loucura misturada com liberdade que elas geralmente teem, é a admiraveis e encantadora inocências transgressoras que elas teem o que nos atrai.
A amiga - Que vem da Liberdade natural que existe nelas. É isso que faz com que as perdoemos
com mais facilidade; que não as censuremos por qualquer coisa. Que perdoemos seus pecados; os seus deslizes infantis.
O encantado - Criança é sempre criança. E assim como nos, são encantadas de nascensa, por isso nos cativam.
A amiga - Por isso temos vontade de abraça-las,(se aproximando do jovem) de ama-las; de beija-las! Pois são sinceras, e teem uma saudavel falta de juizo.
O encantado - Ah! Uau-lú. Eu não vejo outra saida, a não ser te levar para os jardins floridos do teu reino, para evitar que esse nosso maravilhoso sonho, mergulhem no silêncio do que é proibido entre nós. Tenho que tira-la daqui sem violar os deveres sagrados do ritual de travessia dos portais das águas do espelho na nascente da lua. Tenho que ir!(flashes de luz de relampagos. Som de trovões ao longe) Fique aqui até eu voltar.
A amiga - Foi isso que me dissesse na ultima vez que ti vi descer o barranco do rio. Vais sumir outra vez! por isso estou puxando conversa. Não quero que se vá!
O encantado - Eu volto o mais rapido possivel! me espere. Não sai daqui, Por nada nesse
mundo!

O jovem sai na direção do espelho, Uau-lú esboça um sorriso e ao mesmo tempo se mostra impaciente andando de um lado para outro, e não resiste e sai na direção em que foi o jovem lider. O jovem lider sentado na beira do espelho esperando as nuvens passarem em frente a lua. Uau-lú escondida observa. A lua volta a clarear, O jovem levanta-se caminha até o espelho e se atira nas águas e depois que alguns segundo ele emerge transformando num peixe Boto. Uau-lú sai do esconderijo vai até a beira do espelho e gritando pelo seu nome. Um relâmpago corta o céu do espelho seguido de um potente trovão. O jovem transformado em peixe vem até onde ela está.

O ENCANTADO - O que você fez? Não podia ter feito isso.
A amiga - Por todos encantos!!! Você se transformou num peixe!
O ENCANTADO - Sabes o que acabou de fazer? Você quebrou o meu encanto, Uau-lú!
A amiga - Me perdoe!
O ENCANTADO - Como posso perdoa-la!? Não existe perdão para o que fez.
A amiga - (chorando) Me perdoe! Eu não queria perde-lo! por tudo de mais sagrado! me perdoe!
O ENCANTADO - Agora sim, voce me perdeu para sempre. Vou ficar nessa forma de peixe, até
quando só deus sabe! por que não me esperou. Por que você fez isso.
E soltando um gemido triste o jovem peixe deu meia volta, mergulhou nas águas e desapareceu nadando nas águas. Uau-lú desesperada grita chamando por ele, e num ato de desepero atira se nas águas e fica se debatendo pedindo por socorro, raios e trovões explodem no céu do espelho d'gua. O jovem peixe vem até onde ela está e tentar empurra-la para fora. Mas na borda do espelho não tem onde se segura. A luta se segue até ela pará de se debater, ficando apenas com um braços fora da água, preso a margem do espelho.

Voz do contador de história - E na ultima tentativa de salva-la, O jovem peixe boto nadou e saltou para fora da água girando no ar, na esperança de volta a ser humano e puxa-la de dentro da água do espelho, mas o seu encanto estava quebrado, e ele ficou ali se debatendo no seco, tentando ir em direção ao braço de Uau-lú. Aos pouco foi perdendo as forças, e também parou de se debater.(Musica suave surgindo aos pouco). As nuvens cobrem a luz da lua. Relâmpagos mostra flashes de cena dos dois na escuridão da noite. Som de chuva caindo. As luzes dos relampagos aos pouco vão ficando espassados (musica suave aumenta. Não se ouve mais os trovões. Um relâmpago forte ilumina o ambiente. O lugar onde eles estavam agora está vazio. A nuvem passam. A luz da lua volta iluminar o ambiente.(Ouvesse o som de algo nadando movimentando as águas).A luz da lua volta a aparecer mostrando o cenário vazio.

Música :
"Porque choram as águas?
Porque choram as águas?
São mistérios do rio
São mistérios das águas
São histórias de amor
Há muito tempo contadas"


FINAL


OBS. ESSE TEXTO PODE SOFRER ALTERAÇÕES.

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