quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O LENDÁRIO BOSQUE DAS FLORES



A LENDA DO REINO BEIJA-FLORES
(A MAIS BELA HISTÓRIA DO MUNDO)





POR QUE OS BEIJA-FLORES NÃO ANDAM?



“QUEM NÃO RECEBER O REINO
DE DEUS COMO UMA CRIANÇINHA,
DE MODO ALGUM ENTRARÁ NELE.”
Lucas 18:17

Há muito tempo atrás, existia um reino, conhecido como o reino dos beija flores, onde os beija-flores azuis imperavam, e os humildes beija-flores amarelos eram tratados como os súditos.
Por todos os recantos do reino, existiam deliciosas e aromáticas fontes de nécta. Que jorravam em horários predeterminados pelo rei, e esse poder de fazer as fontes jorrarem dava ao rei o poder sobre todos os beija-flores do reino, principalmente sobre os pobres beija-amarelos, que dependiam das fontes para sobreviverem. E em troca desta sua benevolência, o rei exigia que os amarelos trabalhassem diariamente, limpando ruas, construindo casas e palacetes para seus amigos e familiares. Os pobres amarelos moravam em ninhozinhos pobres, construídos em cima de velhos troncos de árvores, alguns viviam em condições deprimente, muitos dormiam pelo chão, embrulhados com folhas secas que caiam das árvores, mas sempre sonhando com dias melhores.
Quando chegava certa época do ano, o rei obrigava os amarelos irem trabalhar em lugares distantes da cidade. E o número de adultos que ficava na aldeia, não era o suficiente para cuidar de todos os idosos, doentes e recém-nascidos durante esse período, por isso muitos desses morriam de fome, pois não tinha quem os conduzisse até as fontes de nécta para alimentarem-se. Os amarelos eram proibidos de reclamarem dessa e de outras injustiças cometidas pelo rei. A maioria vivia revoltada, muitos descarregavam suas revolta, embriagando-se com nécta fermentado e brigando entre si. E o rei, em nome da ordem e dos bons costumes reino, mandava os trancafiarem em calabouços imundos, construídos nos arredores da cidade.

Todos os anos era promovida uma grande festa popular. Durante esses dias, tantos os azuis, quanto os amarelos, fantasiavam-se e saiam pelas ruas sorrindo, cantando e dançando. Era uma festa aguardada com muita expectativa por todos, principalmente pelos amarelos, que durante esses dias esqueciam um pouco da vida sofrida que tinham, e embriagavam-se sonhando com uma vida longe da servidão humilhante que lhes era imposta pelos nobres Azuis.
Mas a grande esperança dos amarelos era alimentada por uma antiga lenda, que ia sendo passada de pai para filho. Contava essa lenda que num passado não muito distante, todos os beija-flores viviam sob as orientações do grande beija-flor branco, pai de todos os beija-flores, compartilhando um conhecimento que garantia a liberdade e a igualdade de direito entre eles, mas que com tempo esse conhecimento foi sendo esquecido, e terminou por ficar sob o domínio de alguns poucos beija-flores, que espertamente o guardaram em segredo e mais tarde passaram a usa-lo para dominar os outros. Dando origem à confusão e o caos social em que viviam.

Essa Lenda era conhecida, como a mais bela historia do reino, e contava que o grande e sábio beija-flor branco, ao ver tanta confusão resolveu ir embora, prometendo só voltar quando todos estivessem dispostos a escuta-lo. Mas antes ele enviaria um de seus filhos mais querido, para ensiná-los as coisas esquecidas, para restabelecer a ordem, e trazer de volta o amor e a harmonia entre todos.
A grande maioria dos amarelos, acreditavam que a Lenda era uma profecia deixada por seus ancestrais, e que um dia ia se realizar, por isso costumavam reunirem-se em lugares espaçosos, nos finais de semana, para contá-la uns aos outros, e aproveitavam esses momentos para discutirem os belos ensinamentos contidos nela. Já outros, costumavam conta-la aos seus filhotes, apenas por acharem a lenda uma agradável e bem elaborada estória de incentivo ao amor entre os semelhantes. Porem entre eles existiam alguns mais radicais, que questionavam o culto que os amarelos faziam a lenda, e a todo custo tentavam convence-los de que a lenda era fruto da imaginação fértil do rei e seus conselheiros; que tudo não passava de um sonho idiota criado por eles, com a intenção de iludi-los; fazer com que os amarelos alimentassem a esperança em dias melhores, que nunca chegariam, argumentando, que a lenda tinha o propósito de neutralizava o instinto guerreiro dos alegres e incansáveis beija-flores amarelos, evitando assim, que eles se levantassem em lutar contra as injustiças cometidas pelo rei.
Mas de nada adiantava tais argumentos, a Lenda do beija-florzinho encantado, parecia ter vida própria. Sobrevivia a tudo e a todos.
O tempo foi passando, e num belo dia de festa, a jovem filha do rei, que raramente saia de dentro dos muros do palácio, resolveu participar da grande festa, e mesmo sabendo que estava proibida de brincar nas ruas. Mandou confeccionar uma bela fantasia de beija-flor amarela, com a intenção de ir ver de perto os famosos jovens beija-flores amarelos que animavam a festa.
E foi assim, brincando alegremente pelas ruas do reino, que a jovem princesa com seu jeito simpático, rapidamente fez amizade com algumas beija-florzinhas amarelas, e uma delas lhe apresentou um dos jovens artistas do reino, que era adorado pelas beija-flores amarelas, e tido como rei dos artistas entre os amarelos.



Foi amor à primeira vista, ficaram perdidamente apaixonados। Mas o romance entre azuis e amarelos, era terminantemente proibido no reino।




E a princesinha, melhor do que ninguém, sabia desta proibição, e resolveu então guarda em segredo sua identidade. Foram dias maravilhosos para eles, a princesa estava feliz e ficava encantada com as brincadeiras e travessuras artísticas do atraente beija-florzinho amarelo que fazia com que ela fosse um dos grandes destaque na festa.
Passado os dias festivos, a princesa temendo perder o seu amor, resolveu não revelar a sua identidade. E com muito esforço o convenceu de que seus encontros teriam que acontecer às escondidas no meio da floresta. A principio o jovem beija-florzinho amarelo estranhou, mas acabou concordando com ela.
A princesinha nunca tinha se sentindo tão feliz em sua vida. E sempre encontrava uma maneira de sair do palácio sem ser percebida, para ir se encontrar com o novo namorado. Tudo seguia muito bem, até que um belo dia, a princesinha descobriu que estava esperando um ovinho, e entrou em desespero. Ia ser difícil manter o seu disfarce naquela condição. E passou então a viver num terrível dilema. Se revelasse o acontecido ao seu jovem namorado, ia ter que revelar a ele o porquê do seu temor, e consequentemente a sua identidade. E isso, com certeza ocasionaria o fim do seu romance. E mesmo que ele aceitasse a situação, ainda iam ter que compartilhar com a duvida que rondava as cabeças de todos os beija-flores reino, que era, a de que ninguém sabia dizer como seria um filhote de uma beija-flor azul com um beija-flor amarelo.


Os dias foram passando, e a princesa não sabendo mais o que fazer para resolver o problema, pediu ao jovem beija-flor amarelo, que no próximo encontro trouxesse a amiga que os apresentou no meio da grande festa, argumentando que tinha algumas coisas importantes para conversa com ela. Na verdade a princesa tinha a esperança, de junto com ela encontrar uma saída para o seu drama. E sem desconfiar de nada, o jovem beija-flor amarelo atendeu ao pedido da princesa.
E foi assim, longe dos olhares do jovem beija-flor amarelo, que aconteceu o decisivo encontro entre elas. Começaram conversando animadamente sobre as novidades da vida de cada uma, e quando a princesa sentiu que podia confiar em sua amiga, abriu então seu coração, e contou a ela toda a historia que a muito custo vinha guardando em segredo. Ao ouvir a historia, a jovem beija-florzinha amarela entrou em pânico. Pois sabia que se o rei descobrisse a sua cumplicidade no romance da princesa, no mínimo ele mandaria expulsa-la da cidade junto com sua família. E sem duvida, os enviaria para o lado mais escuro da floresta; um lugar de onde jamais alguém conseguiu voltar. Foram momentos difíceis para as duas. A princesa chorou muito e pediu por tudo de mais sagrado que ela entendesse a situação. E foram tantas as suplicas que findou por convencer a beija-florzinha amarela a ajudá-la. Porem quando a beija-florzinha protificou-se a ajudá-la, a princesinha ficou tão feliz, mas tão feliz que começou a sorri, dançar e a movimentar as asinhas com tanta rapidez que levantou vôo rodopiou e ficou flutuando no ar. Ao ver aquilo a beija-florzinha amarela paralisada, revirou os olhos e caiu desmaiada no chão. A princesinha desceu rapidamente, e a pegou a amiga pelas asinhas e a balançou varias vezes chamando pelo seu nome. Tudo em vão, a beija-florzinha estava imóvel. Desesperada, a princesa começou a gritar pedindo socorro, mas estava muito longe para ser ouvida. E só depois de muito esforço e sofrimento, foi que ela finalmente conseguiu fazer com que a beija-florzinha amarela recuperasse os sentidos, e com os olhos ainda marejados de lágrimas, perguntou a sua amiga o que tinha acontecido. A beija-florzinha amarela, bastante assustada, a empurrou pedindo para que se afastasse, lhe chamando de bruxa; de alma de outro mundo, entre outras coisas. Surpresa com a reação de sua amiga, a princesinha afastou-se e ficou tentando entender o porquê da reação de sua amiga. E quando se sentiu desfeita do susto, começou a analisa toda situação, e foi ai que percebeu o tamanho da bobagem que acabara de fazer. Pois no momento de sua felicidade, esquecera que os beija-flores amarelos não sabiam o que era voar. Isso deve ter sido um choque para sua amiga, e com certeza complicava ainda mais a situação, pois sem querer, ela tinha revelado para jovem beija-florzinha amarela, um dos mais bem guardados segredos dos azuis. E isso, era algo imperdoável entre os nobres da corte, e se eles descobrissem este acontecimento com certeza ela e sua amiga, seriam condenadas à morte nos calabouços do castelo.
Foram precisas muitas horas de conversa e paciência, para a princesinha acalmar sua amiga e faze-la entender a delicada situação em que as duas acabaram se metendo. E não tendo outra saída, a princesa contou toda verdade que existia por trás do que a jovem beija-florzinha amarela acabara de presencia. Deixando bem claro, as conseqüências terríveis que poderiam ter, se aquele segredo fosse revelado a mais alguém e chegasse ao ouvido do rei. E como forma de resolver a situação elas então fizeram um juramento de guardar em segredo o inesperado acontecimento. E a beija-florzinha para ajuda a princesa com o seu ovinho, concordou em fingir-se de grávida, para quando o ovinho nascesse todo pudessem pensar que o ovinho era seu e não da princesa. Mas para que esse plano desse certo a jovem beija florzinha amarela teria que convencer um beija-flor a casa-se com ela, ela tinha um namorado que não parecia muito disposto a contrair matrimônio, e a princesa resolver dá então uma força para que isso se concretizasse o mais rápido possível, e numa bela noite pediu ao seu amigo pintor que pintasse suas penas com tinta florescente e usando o dom de voar foi até ninhozinho do namorado de sua amiga, e assim o convenceu usando o argumento de que sua namorada estava grávida de um beija-florzinho sagrado enviado pelo grande beija-flor branco. Diante da espantosa visão, o namorado da beija-florzinha amarela não teve duvida, juntou-se em matrimônio com ela.
Chegou o dia do ovinho vir ao mundo. E como as duas tinham combinado, voltaram se encontrar no meio da floresta. E no meio da conversa a beija-florzinha amarela expôs a preocupação que tinha, quanto ao aspecto que poderia ter o filhote da princesa. A princesinha por seu lado, revelou que tinha perdido algumas noites de sono com a mesma preocupação, que chegou a ter pesadelos horríveis envolvendo seu filhote. As duvidas eram tantas que temerosas com o futuro do beija-florzinho, resolveram que o melhor a fazer seria quebra o ovinho quando ele viesse ao mundo.
A princesinha deu a luz ao esperado ovinho. Por alguns instantes as duas ficaram em silencio, olhando para o ninhozinho improvisado no meio da vegetação. Estavam encantadas com a beleza que tinha o tal ovinho, nunca em suas vidas tinham visto nada parecido. Ele brilhava como uma esmeralda ao sol; a floresta ao redor parecia festeja seu nascimento. A beija-florzinha amarela muito triste afastou-se a procura de algo bastante resistente para quebrar o ovinho. A princesinha afastou-se para não ver o seu belo ovinho ser quebrado. A beija-florzinha voltou com um pedaço de galho, aproximou-se do ovinho, e levantou para desferir o golpe fatal, mas ficou com o galho parado no ar. O sentimento materno falou mais alto dentro dela. Não encontrou força e nem coragem suficiente para realizar o que pretendia. Chamou então a princesinha para ajudá-la. E juntas elas descobriram que não tinham coragem de destruir aquela coisinha frágil e indefesa, não parecia justo exterminar uma vidinha que não tinha a menor chance de defender-se. E abraçadas, elas choraram muito, e depois de muita conversa, elas decidiram correr o risco de chocar o ovinho, sem se preocuparem com o futuro. E para que a princesa não corresse o risco de ser descoberta, a beija-florzinha amarela assumiria a responsabilidade de esquentá-lo diariamente, até chegar o dia do nascimento do filhote. Feliz da vida, a princesinha partiu para o castelo, combinando de voltar quando estivesse próximo o dia do nascimento.
Porem, antes chegar o esperado dia, o velho bruxo do castelo, fazia seus trabalhos mágicos no porão do castelo, quando teve a visão de um acontecimento magnífico, e foi correndo relata-lo ao rei. Chegando lá, contou que vira surji no céu, uma grande flor brilhante de cor estranha, que ia deixando um rastro luz por onde passava, e que era conduzida por um jovem beija-florzinho muito estranho, que anunciava a queda do seu reino, e que no final da visão, ouviu uma voz anunciando, que o ovinho que trazia o novo rei, já estava sendo chocado em algum lugar no reino. E o rei surpreso e ao mesmo tempo assustado com o relato, pois acreditava nos poderes sobrenaturais do velho bruxo. Perguntou se ele sabia onde estava o tal ovinho. O bruxo respondeu que não. Mas pediu que ele tomasse providencias urgentes, pois corria um sério risco de perder o seu trono. O rei mandou chamar os conselheiros, e em seguida convocou o comandante do exército e ordenou que reunisse a tropa, e saísse pelo reinado, vasculhando todos os ninhos existissem, e recolhesse todos os ovinhos que encontrassem pela frente. E não importava que fosse um ovinho de um beija-flor azul ou amarelo. E levassem todos para lado escuro da floresta. Onde seria mais fácil monitora-los e detectar com facilidade, o nascimento de algum beija-florzinho estranho entre eles.
Ao saber das ordens dadas por seu pai, a princesinha foi até onde estava a tropa reunida e pedi ao comandante para que não deixasse os guardas entrassem numa determinada área da floresta, pois era um lugar sagrada para os membros da família real, e se desobedecesse a sua ordem, podia pagar muito caro por sua desobediência. O comandante não ousou questionar a ordem da princesinha. E partiu com a tropa para cumprir a dolorosa missão.
Em toda a existência do reino dos beija-flores, nunca tinha sido vistas cenas tão tristes e cruéis. Em poucos dias, todos os ovinhos do reino tinham sido recolhidos, e no meio da confusão, muitos foram quebrados. Uma tristeza imensa abateu-se sobre o reino dos beija-flores. Por todos os lugares, papais e mamães beija-flores choravam por seus ovinhos. E graças à obediência do comandante, o belo ovinho cor de esmeralda da jovem princesa foi o único que escapou no meio da confusão que foi gerada pela ordem do rei. Isso para a felicidade da princesa e a alegria da beija-florzinha amarela, que carinhosamente passava os dias a esquentar o ovinho no meio da floresta.
Finalmente chegou o dia. O filhote veio ao mundo forte e saudável. As duas amigas vibraram muito, e olhavam admirada para o estranho beija-florzinho de cor esverdeada brilhante. A única coisa que ele tinha semelhante aos outros beija-flores, era as pequenas penugens vermelhas entre as penas de seu corpo.
Logo perceberam que não podiam levá-lo para conviver entre os beija-flores do reino. Pois com certeza a sua cor iria despertar curiosidade, e para não correr o risco de ver toda a história da princesa vir à tona. Resolveram que o melhor seria criá-lo às escondidas no meio da floresta, até encontrarem uma solução para o caso. Pois sabiam que seria muito difícil cria-lo, longe de tudo e de todos.
O tempo passou e o beija-florzinho cresceu. E durante esse período recebeu uma atenção toda especial de sua mãe, que aproveitava os momentos em que ficavam a sos, para passar a ele os segredos e as artes secretas dos nobres azuis. Os dias foram passando, e quando sentiram que ele já estava preparado para viver em comunidade. A princesinha foi novamente até a casa do seu amigo pintor e pediu que ele produzisse uma tinta amarela especial que fosse bastante resistente. Passaram-se alguns dias e o sábio pintor entregou a ela a encomenda. De posse da tinta, a princesinha e sua amiga, banharam o beija-florzinho com um nécta especial e em seguida tingiram suas peninhas esverdeadas brilhantes, de cor amarela. E foi assim, que sem levantar suspeitas quanto a sua origem, que ele foi levado para viver entre os beija-flores amarelos do reinado.
Aos pouco o beija-florzinho começou a se destacar entre os beija-flores amarelos, principalmente entre os jovens e as crianças, que adoravam sua esperteza e principalmente ouvir as belas histórias que só ele e seus amigos sabiam contar. Nesse período começaram a acontecer algumas coisas estranhas na aldeia dos amarelos. Nas portas dos ninhos onde moravam doentes, idosos e recém-nascidos, todos os dias apareciam fartos potes do mais puro nécta. Os pobres beija-flores amarelos que recebiam esses misteriosos potes, agradeciam ao céu pela dádiva pedindo ao grande pai dos beija-flores que desse vida longa a alma caridosa que os ajudava no anonimato. Em pouco tempo, a aparição dos misteriosos potes tornou-se o assunto preferido entre os amarelos. E não demorou para que a historia chegasse ao ouvido do rei. E o rei desconfiado, mandou um dos seus espiões ir investigar o que estava acontecendo entre os amarelos. O espião disfarçou-se de amarelo e assim foi conviver alguns dias entre eles. E tratou logo de fazer algumas amizades estratégicas e não demorou muito para ganhar a confiança de seus novo amigos, e com certa tranqüilidade, passou então a investigar a origem dos misteriosos potes de nectas. Passado algum tempo, voltou ao castelo para dar as primeiras informações ao rei, disse ao rei que a história dos misteriosos potes, estava de alguma forma ligada a um grupo de jovens beija-flores, que viviam cercado de jovens, adultos e crianças. Mas era fácil saber qual deles liderava o grupo, pois todos falavam sempre sobre as mesmas coisas, uns complementavam o que o outro diziam, como se fosse um só beija-flor falando pelo bico de todos, todos conheciam as mesmas historias e contavam elas revesando-se harmoniosamente. O rei ordenou que voltasse e passasse a vigiá-los mais de perto, para descobrir quem liderava o tal grupo de beija-flores. E assim o espião fez, e com muito jeito conseguiu infiltrar-se no meio deles, e ficou impressionado com o tratamento que todos dedicavam ao pequeno beija-florzinho, era impressionante, eles o seguiam por toda parte, pedindo conselhos, ou para que iniciasse uma de suas belas historias recheadas de ensinamentos. E ouvindo essas histórias o espião desconfiou que o beija-florzinho amarelo, na verdade fosse um beija-flor azul disfarçado. Pois só os azuis conheciam as histórias que ele contava aos seus amigos quando estavam a sos. E para desfazer as duvidas, ele então esperou um momento em que todos passeavam pelas ruas da cidade, juntou-se a multidão e num momento de descuido do beija-florzinho, cortou um pedaço de suas penas, e saiu correndo se escondendo no meio multidão e levou o pedaço de pena para o velho bruxo examinar. Assim que o bruxo pegou o pedaço da pena, logo percebeu tratasse de uma pena tingida com uma tinta especial, e jogou sobre ela uma poção de solvente, mas nada aconteceu, e só depois de exaustivas mudanças de formulas e experiências foi que ele finalmente conseguiu descolorir uma pequena parte do pedaço da pena do beija-florzinho, revelando a cor verde brilhante que ela tinha. Assustados com a descoberta, foram correndo mostra-la ao rei. Que diante da estranha evidencia, convocou seus conselheiros para analisar a situação.
A descoberta pegou a todos de surpresa. Ninguém sabia a origem do tal beija-florzinho, mas de uma coisa todos tinham certeza, o tal beija-florzinho tinha que ser neutralizado o mais rápido possível, pois com certeza, ele sabia de coisas que os amarelos não podiam saber. Tinham que ser tirado de circulação antes que fosse tarde demais, mas isso teria que ser feito de forma reservada; de maneira que não levantasse suspeita ou revolta entre os amarelos, pois como puderam constatar, o misterioso beija-florzinho era adorado por todos.
O rei e seus conselheiros então elaboraram um plano de ação. E foi assim, que de forma bem orquestrada, os azuis foram espalhando boatos entre os amarelos, que levantavam suspeitas quanto à origem do beija-florzinho, diziam que ele era um enviado de um reino tenebroso e distante, e que estava ali para ganhar a confiança deles e depois destruí-los. Não demorou muito, e pelos quatros canto da cidade comentava-se que os dons artísticos e os freqüentes discursos que o beija-florzinho fazia contra o rei, escondiam as suas verdadeiras intenções. Aos pouco a vida do beija-florzinho foi se tornando complicada. Ficava cada vez mais difícil desfazer as suspeitas que recaiam sobre ele. Muitos beija-flores amarelos passaram a olhá-lo com desconfiança. Nesse meio tempo, o velho bruxo do reino conseguiu desenvolver um solvente capaz de descolori vagarosamente a tinta especial que cobria as penas do beija-florzinho. E quando o rei e seus conselheiros perceberam que tinha chegado o momento favorável, colocaram a segunda parte do plano em ação. O rei decretou que o beija-florzinho fosse preso sob a acusação de perturbação da ordem e conspiração contra o reino.
O beija-florzinho foi preso, açoitado e arrastado pelas ruas da cidade, para que todos vissem como o rei tratava seus inimigos, e como castigo exemplar, mandou que o amarrassem de asas bem abertas no meio da grande praça da cidade. E ali, diante da multidão, o velho bruxo expôs a todos o pote de solvente especial que trazia nas mãos, dizendo trata-se de uma formula mágica, e assim dizendo, banhou o beija-florzinho, para que todos vissem a grande verdade ser revelada, e o deixou ali, exposto ao sol.
As horas foram passando, e para espanto de todos que não conheciam a origem do beija-florzinho, a sua verdadeira cor foi sendo revelada, as suas penas começaram a soltar pequenos brilhos. E no final da tarde, já sofrendo com o cheiro do solvente, o beija-florzinho parou de respira. Ao verem os pequenos brilhos que se desprendiam das penas do beija-florzinho, alguns começaram a chorar, outros entraram em desespero acreditando que tinham sacrificado o beija-florzinho da lenda, que veio para libertá-los, o grande pai tinha enviado o grande libertador dos beija-flores, mas eles não o tinham reconhecido, tudo o que o beija-florzinho ensinava, eram exercícios de amor entre os semelhantes, independente das cores de suas penas.
A beija-florzinha amarela, muito triste, foi até o castelo pedi autorização para retirar o corpinho sem de vida de seu filho de criação do meio da praça. No caminho encontrou a princesa, e abraçada a ela, contou o lamentável acontecimento, mas para sua surpresa, a princesinha reagiu tranqüilamente, e pediu para que ela não chorasse, pois tudo acontecera como previsto. Era preciso que seu filho fosse sacrificado, para que podesse libertar-los, de forma sábia e tranqüila, sem conflitos e sem derramamento de sangue. E mesmo sem entender o que a princesinha estava querendo dizer, A beija-florzinha voltou para retira o corpo sem vida da praça. E juntos com os amigos o levaram até uma gruta, no alto de uma pequena montanha para sepultá-lo.
Rei ordenou o comandante da guarda imperial, que escolhesse alguns beija-flores de sua confiança, para vigiar a gruta. Pois não queria que os amigos do beija-florzinho cometessem o sacrilégio de retirá-lo de lá, e o levasse para ser enterrado num lugar que era tido como sagrado pelos azuis e amarelos, pois desonraria os seus antepassados.
Veio à noite, os guardas já estavam quase dormindo, quando um barulho estranho os despertou. E olhando para o alto viram alguns vultos se movendo. Por alguns instantes os vultos ficaram flutuando no ar, e então desceram em direção a eles, que apavorados fugiram em desabalada carreira.
No outro dia, a beija-florzinha amarela junto com as amigas dirigiu-se até a gruta. No caminho, logo percebeu uma grande movimentação. Muitos beija-flores seguiam apressadamente em direção a gruta, ouvia-se comentários sobre um estranho acontecimento da noite anterior. Mas ninguém sabia dizer com exatidão o que tinha acontecido. A beija-florzinha apressou os passos. E chegando lá no alto, para a sua surpresa e de todos que estavam com ela, a gruta estava aberta e o corpo do beija-florzinho não estava lá. As explicações para o desaparecimento não eram precisas; tudo era muito confuso e fantasioso. Mas de repente, em meio à movimentação em frente à gruta, alguém grita para que todos olhem para o alto de uma árvore que tem ali perto. Para surpresa geral, lá estava o beija-florzinho sorrindo, pousado num dos galhos da frondosa árvore. Assustados alguns tentaram fugir, mas foram contidos pelos amigos do beija-florzinho. O beija-florzinho pediu que ficassem calmos, pois ele tinha algumas coisas importantes para falar antes de parti para a sua nova morada. E começou revelando que fingirá-se de morto para enganar os azuis, e que essa habilidade tinha aprendido com a sua verdadeira mãe. Em seguida revelou a todos, onde e como os azuis conseguiam o nécta para abastecer as fontes do reino, e pedindo para que não se assustasse com o que ele ia fazer naquele momento, agitou então as asinhas com rapidez, flutuou no ar e desceu ate chão. A maioria dos que estava ali ficaram boquiabertos diante do feito. E ele explicou que o que eles acabaram de presenciar não tinha nada extraordinário, que aquele era o dom de voar, e que todos os beija-flores independes das cores de suas penas tinham, e se quisessem comprovar isso, tinham que parar com o costume de cortar e amarrar as penas das asas como rei e seus conselheiros os obrigava a fazer; e treinassem movimenta-las da forma correta e com bastante rapidez. Esse era o dom maravilhoso que seus ancestrais conheciam e que fazia com que eles vivessem em liberdade e tivessem acesso as vertentes de nécta, de onde os serviçais do rei colhiam os suprimentos para as fontes e daria a eles a liberdade que tanto sonhavam. E dizendo isso apresentou os amigos que podiam ajudá-los nos exercícios iniciais. Deixando bem claro que isso teria que ser feito de forma sigilosa. Ao terminar a sua exposição o beija-florzinho bateu asas e partiu para o lugar, onde em segredo, junto com seus amigos, estavam terminando de construir a nova morada para os beija-flores. E quando tudo estivesse pronto, ele voltaria para buscá-los. E marcou o dia para esse grande reencontro, e assim subiu voando e desapareceu entre as nuvens.
Nesse novo reino foram erguidos imensos jardins circulares as margens de um límpido riacho que corria no meio da cidade, os jardins funcionavam como um grande relógio calendárico de flores, as sementes dos vegetais que germinavam e floresciam seqüenciadamente durante todos os meses do ano foram plantadas num formato de imensas fontes circulares belíssimas. Fazendo com que todos os meses eles tivessem flores brotando livremente, onde todos poderiam beberica nécta à vontade.

O tempo foi passando. Os azuis começaram a estranhar comportamento dos amarelos. Eles pareciam mais alegres, mais soltos. Trabalhavam cantando canções de exaltação à liberdade, falavam de uma vida em paz entre os beija-flores. Os conselheiros do rei estavam apreensivos, pois todo o reino parecia está vivendo uma inexplicável transformação depois que o misterioso beija-florzinho desapareceu. Como medida preventiva o rei e seus conselheiros elaboram leis que proibia os beija-flores de fala ou mencionar qualquer coisa que estivesse ligada ao beija-florzinho. Aparti daí os amigos do beija-florzinho passaram a ser perseguidos, humilhados e presos.
O tempo passou e chegou então o período da grande festa do reino. E como era de costume, as ruas foram tomadas por beija-flores azuis e amarelos que se divertiam com as caravanas de artistas que se apresentavam por todos os lugares da cidade. Os três primeiros dias de festa foram de explosões de alegria nunca vistas em toda a história do reino. O rei, como era de costume, estava em seu camarote real se divertido observando a movimentação dos brincantes nas ruas, enquanto seus conselheiros olhavam desconfiados para a multidão. Estavam surpresos com tanta alegria. Nunca em suas vida tinham visto dias de festas transcorrer com tanta paz, sem brigas, sem um conflito sequer entre os brincantes.
Chegou então o ultimo dia de festa. Todos os amarelos se dirigiram para o centro da cidade, para participarem da grande confraternização encerramento festivo. Eles cantavam, pulavam, sorriam e faziam brincadeiras com os azuis, que não conseguiam entender o porquê de tanta eufórica. As ruas estavam cheias, todos os amarelos do reino estavam ali, era difícil caminhar. Jovens, crianças e velhos estavam todos por ali se divertindo. O rei estava feliz, pois apesar da grande aglomeração, tudo seguia na mais perfeita ordem. E assim foi, até que de repente, para a sua surpresa e de todos nobres presentes. Uma bela musica de exaltação a liberdade entre os beija-flores embalou a multidão, todos cantavam se abraçando sorrindo, e ao termino dos últimos acorde do refrão, todos fizeram um brusco silencio. Um silêncio tão profundo que dava pra ouvir o ruído da brisa soprando nas folhas. Pegando os nobres de surpresa, o rei assustado, mandou o comandante ir verificar o que tinha acontecido com os brincantes. O comandante acompanhado por sua tropa fez uma ronda cautelosa no meio da multidão, e voltou para informa o rei que todos pareciam estar numa espécie de transe; petrificado olhando para o céu. E por mais que ele e seus guardas tivessem insistido, ninguém se moveu para dá explicação sobre o inesperado silêncio. Nos camarotes os nobres começaram a ficar inquietos. O rei resolveu gritar para os artistas que reiniciasse a festa. Mas sua voz ecoou pelo silêncio da praça, ninguém se moveu. O rei insistiu para que a multidão voltasse a se divertir, mas tudo em vão, todos continuavam parados olhando para céu. Aos poucos os nobres foram sendo tomados por uma sensação de pânico, e conforme os minutos foram passando essa sensação foi aumentando. O rei se mostrando bastante assustado sentou-se no trono, e ficou esperando o tempo passar, tentando entender o que estava acontecendo. E não demorou muito para ter a resposta, de repente, todos os beija-flores explodiram em gritos eufóricos e pulos de alegria. Dando um inesperado susto nos nobres, que apavorados quase caem de seus camarotes, alguns se abraçaram buscando proteção, olhando assustados para a multidão. Nas ruas todos apontavam para o céu, os músicos voltaram a cantar com toda a energia ao som de seus instrumentos musicais. Os nobres olharam para o céu, para verificar o que tinha provocado tamanha manifestação de alegria. E avistaram então um pequeno pontinho verde luminoso se aproximando, e para a surpresa do rei e de todos nobres ali presentes, perceberam que se tratava do beija-florzinho que tinham dado como morto, e que agora estava ali, descendo calmamente e pairando sobre a multidão, que delirava balançando os seus maracás, seguido de movimentos coreográficos dando formam a um lindo jardim artificial feito com as penas coloridas de suas asas, especialmente pintadas para está ocasião, para saudar o beija-florzinho na sua volta triunfal. O rei ordena ao comandante que mande seus guardas detê-lo. Mas o chefe dos conselheiros intervem, aconselhando o rei para que não faça tal coisa, pois se assim o fizer, irá revelar a todos o grande segredo imperial e as conseqüências disso podem ser impreviseis naquele momento. Não tendo outra opção, o rei deixa o beija-florzinho se aproximar de seu camarote. O beija-florzinho sorrindo, ironicamente dirigi-se ao rei pedindo desculpa por ter interrompido a festa daquela maneira. Os amarelos deliram aplaudindo. E ele então se vira para multidão e diz a todos que o novo reino já está pronto, e os convida para acompanhá-lo até a nova morada. A multidão volta aplaudi-lo pulando entusiasmadamente. O rei grita para que não lhe dêem ouvido, e o chama de impostor, dizendo que ele ia arrastá-los para uma armadilha; e pede para que observem a cor de suas penas; e o chama de aberração da natureza e ordenando para que se retire do reino. O beija-florzinho sorrindo e sem perde a pose, responde que a sua cor, é uma cor sagrada. E que ela é o fruto de um amor verdadeiro, que está acima dos amarelos e das classes sociais inventadas pelos seus conselheiros; que sua cor tem um nome, ela chama-se verde, e é um símbolo da união das cores azul e amarela. E dizendo isso ele convida seu pai para que voe até onde ele está, para que a multidão possa conhecê-lo. O jovem beija-flor rei dos artistas amarelos alça vôo e vai se junta a ele, para o espanto dos azuis, que não conseguem acredita no que acabaram de vê. O beija-florzinho pede a sua mãe que se apresente e junte-se a eles. Faz-se um novo silencio, todos ficam na expectativa e se entreolham ansioso tentando descobrir quem poderia ser a mãe do beija-florzinho no meio da multidão. E para surpresa geral, a jovem princesa alça vôo de seu camarote real e vai em direção eles. O rei se desespera, a rainha mãe cai desmaiada. A multidão delira novamente, a princesa pedi a todos que façam uma despedida pacifica. E aproveita para agradece a beija-florzinha amarela e o seu companheiro, pela preciosa ajuda na criação e educação de seu filhote querido, em seguida convida todos os azuis que queiram viver uma vida nova, que os acompanhem para o novo reino. O rei ordena seu comandante que os detenha. A princesa pede ao comandante para que não tente impedi-los, pois os amarelos estão em maioria e conhecem muito bem o grande segredo real. O rei e seus conselheiros não acreditam no que estão escutando; não acreditam que todos amarelos ali presentes saibam voar. O jovem beija-florzinho, dá uma meia volta no ar, e junto com seus pais pedi a todos que os acompanhem. O jovem pai começa a cantar, seguido pela princesa. Os beija-flores começam a bater as asas ritmadamente seguindo a música, e vão acelerando aos poucos, até agitarem suas asas com bastante velocidade e levantarem vôo produzindo uma tempestade de vento que joga longe a coroa do rei e os enfeites dos camarotes, virando mesas e carruagens de pernas para o ar. Uma grande maioria de azuis os acompanha voando de forma harmônica e organizada. E lá no alto eles então formam uma grande flor de cor esverdeada. Que soa como um convite para aqueles que estão indecisos em terra. Outras dezenas de azuis levantam vôo e os seguem. Em pouco tempo, o centro da cidade é um imenso vazio, de resto de fantasias e pedaços de camarotes espalhados pra todos os lados. Os nobres azuis permanecem parados olhando para o céu, tentando entender o que aconteceu. O rei desce do que restou do seu camarote e pedi para que tragam a sua carruagem para conduzi-lo ao palácio. Passasse algum tempo, e nada da carruagem aparecer, ele esbraveja chamando seus serviçais para tragam sua carruagem, e nada, nem sinal de carruagem, ele então cai na real. Os beija-flores amarelos que eles usavam como escravos se foram com o beija-florzinho verde. E como os azuis não sabem manejar as carruagens, todos são obrigados a voltarem a pé para o castelo. Daquele dia em diante, restou aos azuis, apenas ficarem pelos cantos lamentando o acontecido. Agora iam ter que lavar suas próprias roupas, preparar suas comidas, arrumar suas casas. Resumindo, o reinado dos azuis chegava ao fim. E longe dali, num lugar bem distante na floresta, acontecia uma festa com milhares de beija-flores azuis e amarelos. E o beija-florzinho verde é coroado o novo rei dos beija-flores. E como primeiro ato do seu reinado, o encantado beija-florzinho pedi a todos que colham as sementes dos arbustos que florescem e saíam semeando por toda os lugares férteis que encontrarem na terra. E decreta que daquele dia em diante não existiam mais súditos no reino, e ordena que todos sejam coroados como rei; que todos sejam tratados como nobres. E então, num belo dia de primavera, aconteceu a grande festa de coroação coletiva dos beija-flores, e foi nesse dia o beija-florzinho foi coroado e aclamado por unanimidade como o rei dos reis dos beija-flores. A paz e a harmonia voltaram reinar entre eles. Azuis e amarelos podiam namorar e casar sem problemas. E resultando disto, foi a geração de beija-flores de todas as cores. Por isso, toda vez que você vê uma flor brotando ou um beija-florzinho voando, lembresse desta historinha que foi contada pelo rei de Maracá ao encantado Botintim e seus amigos no grande palácio dos jardins do bosque das flores. O Botintim e seus amiguinhos foram os encarregado de levar essa história para lendária aldeia dos contadores de histórias da floresta junto com as páginas do grande livro mágico do rei de Maracá. Mas essa é uma outra aventura. Com certeza você já ouviu a história do beija-florzinho encantado sendo contada de alguma forma. Talvez com outros personagens. Mas através dos tempos a mensagem permanece a mesma. O amor puro e sincero pelos nossos semelhantes tem uma força transformadora poderosa. Que alguns podem até paralisá-la por algum tempo, mas dete-la, jamais.
E para que o reino dos beija-flores nunca mais voltasse a ser divido pelas cores de suas penas e que o dom de voar nunca mais fosse esquecido, o pequeno e sábio rei dos reis dos beija-flores, decretou que no novo reino todos usariam as asas como meio de locomoção, e essa ordem até hoje é religiosamente cumprida. Por isso até hoje os beija-flores não andam, para se locomoverem, eles voam. E a força irresistível deste ato ultrapassou fronteiras, alcançando outras espécies, outras civilizações. E chegou até a humanidade, onde as asas passaram a ser usadas como um símbolo universal de liberdade. E com os beija-flores de todas as cores vivendo em harmonia, o grande beija-flor branco voltou a reinar por eles. E como diz uma das frases da canção de liberdade que se transformou num hino de pacificação do reino dos beija-flores:
AMA! AMAR É TUDO.







” NO MEIO DA PRAÇA E DE UMA E DA OUTRA BANDA DO RIO, ESTAVA A ÁRVORE DA VIDA, QUE DÁ DOZE FRUTOS, DANDO SEU FRUTO DE MÊS EM MÊS, E AS FOLHAS DA ÁRVORE SÃO PARA A SAÚDE DAS NAÇÕES.”

(APOCALIPSE 22: 02)


















MANTER PRESERVADO O NOSSO MEIO AMBIENTE NATURAL, REQUER A CONSTRUÇÃO DE UMA CONCIENCIA SOLIDA; DE UMA CONCIENCIA QUE ACIONE DIARIAMENTE O SER HUMANO NESSE SENTIDO. A IMAGINAÇÃO HUMANA, É UM INSTRUMENTO PODEROSO QUE PODE SER USADO NESTA CONSTRUÇÃO . NA HISTÓRIA DO BEIJA-FLORZINHO ENCANTADO, BUSCO ASSOCIAÇAR SIMBÓLOS E ELEMENTOS DA NATUREZA, PARA FAZER UMA CONEXÃO DO MEIO NATURAL COM A ACENTUADA DO QUE TEMOS DE SAGRADO ALICERÇANDO O PENSAMENTO HUMANO OCIDENTAL; PODENDO LEVAR ATRAVES DE CONEXÕES COMO ESSA UMA SAIDA PARA A CONCRETIZAÇÃO DE UM COMPORTAMENTO REAL DE RESPEITO À NATUREZA. A CRIATIVIDADE É UM VALIOSO INSTRUMENTO NA CONSTRUÇÃO DESSES ELOS CONCIENCIAIS FUNDAMENTAIS. A ARTE DE CONTAR HISTÓRIA, TEM EM SI, UM PODER DE PERSUAÇÃO COMPROVAVEL. PODEMOS TORNA ESSE INSTRUMENTO MAIS VALIOSO CULTURALMENTE, COMO UM ALIADO PODEROSO, E ACESSIVEL A TODOS, POIS TEM UM CUSTO INSIGNIFICANTE, E PODE SER UTILIZADO DE FORMA EFICIENTE NA FUNDAMENTAÇÃO E CONSTRUÇÃO DESTA CONCIENCIA DE RESPEITO E PRESERVAÇÃO, DO INDIVIDUAL AMAZÔNICO E O SEU MEIO, COMO TANTO PRECISAMOS. ”A LENDA DO REINO DOS BEIJA-FLORES”, TEM O OBJETIVO DE LEVAR O LEITOR AS MAIS VARIADAS REFLEXÕES, E ESTÁ AO ALCANCE DA COMPREENSÃO DE CRIANÇAS E ADULTOS. AS REFLEXÕES DEPENDE APENAS DO GRAU INTELECTUAL DE QUEM A LER. CLENILSON BATISTA

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